quinta-feira, 24 de abril de 2008

A dura tarefa de se concentrar na biblioteca

Cheguei hoje bem cedo á biblioteca, tinha que adiantar algumas leituras e tarefas que ficaram pendentes pois estive ausente durante uma semana. Como ainda era o horário do ensino médio, escolhi uma mesinha escondida atrás dos computadores velhos, mas havia um grupo de alunos que brincavam e gritavam bem ao lado da janela. Voltei para a mesa colorida e comecei a leitura. Lápis na mão, fui grifando as partes mais importantes e assim segui a leitura durante três páginas. Entrou então o primeiro grupo de alunos que se sentou bem próximo, discutiram suas notas, quem tinha ficado de recuperação, outros foram chegando e parei minha leitura completamente desconcentrada. Dei uma olhadinha básica, para mostrar que estavam me incomodando e voltei para o texto, esperando um pouco de consideração. O telefone celular de alguém que estava na midiateca tocou, depois mais um outro. A turma ao lado se acalmou e voltei para minha leitura, avancei mais algumas páginas, tive alguma dificuldade mas no geral consegui entender o texto. Outro grupo entrou na biblioteca, e ficaram em volta de um computador dando risada, e depois se juntaram aos alunos que estavam ao meu lado e daí o barulho foi aumentando. O incrível é que eles e o resto das pessoas da biblioteca também estavam também estudando e o barulho parecia apenas incomodar a mim.
Finalmente terminei o texto mas levei muito tempo e fiquei com dor de cabeça. Engraçado havia uma parte do texto que falava justamente sobre uma nova postura dos jovens em relação a leitura. No texto Petrucci, (1990, pg.222) diz que "(...) os jovens afirmam ler tudo, sempre e em qualquer lugar (...) tem essa característica de se adaptar a qualquer ambiente."
Definitivamente não faço parte desta geração.

Petrucci, A. Ler Por Ler: Um Futuro para a Leitura. Em:Cavallo, G; Chartier,R. A Historia da leitura no mundo ocidental. São Paulo: Àtica, 1999. vol 2, pg 203.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Cartas a um jovem escritor, Mario Vargas Llosa ; tradução de Regina Lyra -Rio de Janeiro:Elsevier 2006

Selecionei alguns trechos que achei interessante do livro do de que escolhi para esta oficina:


"Qual a origem dessa disposição precoce para inventar seres e histórias, que é o ponto de partida da vocação de escritor? Creio que a resposta é rebeldia. Estou convencido de que quem se entrega à elucubração de vidas distintas daquela que vive na realidade demonstra dessa forma sua rejeição e crítica á vida como ela é e ao mundo real, bem como seu desejo de substituí-los por outros, fabricados por sua imaginação e desejos." (...)


"A ficção é uma mentira que encobre uma verdade profunda:ela é a vida que não foi, a que os homens e mulheres de determinada época quiseram levar e não levaram, precisando, por isso, inventá-la. Ela não é o retrato da história, mas sua contracapa ou reverso, o que não aconteceu e por isso precisou ser criado pela imaginação "(...) Pág 09.

Achei estes trecho interessantes pois abordam outro tema parecido com a inspiração, tão discutida em classe, que é a vocação literária. Achei bastante poética esta imagem da rebeldia como ponto de partida para a vocação de escritor. Se é que ela existe.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Depoimento de Lygia Fagundes Telles que escolhi para leitura em classe

"Escrevo de uma vez. Quando vem, sai assim encachoieradamente,com muita paixão. Depois deixo dormir, deixo amadurecer como um fruto amadurece. Em seguida, eu volto e retomo. esse seria um trabalho de artesanato. O primeiro impulso é importantíssimo que fique gravado como eu escrevi. Depois, então, eu tiro uma palavra aqui, corto outra ali adiante, acrescento uma, substituo outra. E justamente como um artesanato.(...) Não tenho rotina nenhuma. Sou uma indisciplinada. Mas não escrevo diariamente. As vezes escrevo seguidamente, sem parar. Depois faço pausas, ai entro novamente. E aquilo que Eclesiastes dizia: Tudo depende do tempo e do acaso. Muitas vezes estou cansada, porque fui a uma festa ou a um compromisso, mas me da aquela vontade desesperada de escrever. Então deixo tudo e lá vou. Eu sei que é preciso pegar aquele instante quente, como no amor. Acho que escrever um ato de amor. E o amor não pode ser adiado. "

Fonte:SA, Sergio de. Correio Brasiliense,1°de março de 1998.

Escolhi este depoimento pois acho que me indentifico com o processo de escrita da autora, também quando escrevo faço de uma vez, encachoieradamente.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Ainda João Ubaldo

Achei este texto no site Klick escritores em que João Ubaldo diz:

"Em primeiro lugar desaconselharia o jovem candidato a escritor a continuar; sugeriria que desistisse enquanto é tempo. Mas se isso for mesmo impossível, eu diria: então está bem, persista, vá em frente, leia muito, todas essas coisas que são lugares-comuns. E principalmente: seja humilde, mas combine essa humildade com certa obstinação. O resto, não é com você, amigo. É um mistério."

Para quem se interessar: http://www.klickescritores.com.br/jubaldo00.html

Achei este "conselho" bastante sincero e divertido, típico do Jõao Ubaldo. Apesar de parecer pouco encorajador no início diz algo que é comum a quase todos os escritores: para escrever leia muito.

Eu e João Ubaldo

No texto, Memórias de Livro de João Ubaldo Ribeiro, ele conta que sua família era obcecada por livros e que eram tantos que mal cabiam em sua casa. Descreve a técnica maquiavélica usada por seu pai para que ele se interessasse por certas leituras, dizendo que a leitura de determinado livro estava proibida. Lembrei então de um episódio da minha vida de leitora. Meus pais sempre foram leitores assíduos e em sua casa há um grande espaço para livros. Desde pequenos eu e meus irmãos fomos adquirindo o gosto pela leitura. Um costume que dura até hoje, é ir com um dos dois até a estante onde fica uma grande quantidade de livros para escolher nossa próxima leitura. Confesso que por conta disso comprei muitos poucos livros, pois no geral adoro as indicações dos meus pais, fora a economia que faço. Mas voltando ao João Ubaldo, lembro de um episódio em que ia até a estante com minha mãe e ela pegou um livro e disse: "Este aqui é lindo, mas acho que não é ainda para sua idade". O livro era "O Apanhador no Campo de Centeio" que eu é claro, fiquei interessadíssima e parti imediatamente para leitura. Lembro de ficar procurando o que não seria apropriado e de não achar, e também não achei o livro tão lindo assim. Talvez minha mãe tivesse usado a tática do pai do João Ubaldo, talvez eu fosse realmente muito jovem para aquele livro, mas sei que esta técnica funciona.