segunda-feira, 23 de junho de 2008

O processo do conto

Escrever o conto, apesar de bastante trabalhoso, foi um grande prazer. A estória foi sendo criada na minha cabeça ha mais de um mês mas demorei para começar a coloca-la no papel. Como sempre, acabei deixando para a última hora e a tarefa do conto se misturou com tantas outras deste final de semestre. Escrevo do computador do meu marido com o teclado em francês, sem acentuação e correção o que dá um trabalho extra para corrigir os textos. Gostaria de ter desenvolvido mais a estória. A versão que foi impressa no trabalho final ainda teve alguns errinhos, poderia ter um final melhor. Mesmo assim, gostei do resultado. Fui montando uma estória com lugares onde passei. Alguns personagens foram inspirados em pessoas que conheço mas muita coisa foi inventada. Foi uma boa forma de encerrar esta oficina, com o livro que fizemos em grupo, e o conto.
Até o semestre que vem!

O Conto revisado

As Férias na Ilha

Chegou em casa tarde e notou o telegrama no meio da correspondência.
Ficou apreensivo. Seu temor se confirmou: tia Julia havia morrido.
No dia seguinte seguiu para o enterro na Ilha.

Foi uma estranha sensação rever o casarão azul onde passara parte da infância e adolescência. Depois de formado, foram poucas as visitas àquele lugar.
Agora estava lá, sozinho, diante do velho casarão de janelas brancas e muito altas, com o mesmo portão de ferro lateral que ainda rangia ao ser aberto.

A casa estava silenciosa, o quarto da tia ainda tinha a antiga cama de madeira, coberta por uma colcha de rendas, as gravuras na parede e a luz de leitura na mesinha de cabeceira. Tudo lhe era tão familiar. A sala bem iluminada com suas grandes janelas brancas dava para a praça da cidade. A mesma cozinha de azulejo antigo, a mesa de tampo de mármore onde tomava seu lanche, o fogão de ferro e as janelas com vista para o quintal onde estavam suas árvores, companheiras de infância.

A mangueira parecia agora menor do que tinha na memória, passou a mão no tronco rugoso, pisou na raiz que o ajudava a subir na árvore. Agora parecia tão fácil.
Voltou para o interior da casa e foi na grande estante de livros no canto da sala, o lugar preferido da tia.

Sentiu o coração apertado. Sentou em sua poltrona favorita, fechou os olhos e deixou as lembranças voltarem.

A tia era a irmã mais velha da mãe, viúva de um diplomata, muito culta, falava diversos idiomas, e havia morado em diferentes países. Instalou-se na ilha depois de perder o marido. Vivia muito arrumada, de olhos pintados, unhas feitas e cabelo impecável. Fumava um cigarro atrás do outro e andava descalça.

O início da convivência não foi fácil. A mãe recém separada, deixou o menino sozinho com a tia enquanto resolvia os detalhes da separação. O menino se sentia sozinho e triste com aquela “velha esquisita” que vivia lendo, escrevendo, fumando e que detestava barulho. Ele, aos oito anos, era muito tímido e solitário. Passava a maior parte do dia zanzando pelo quintal, subindo na mangueira ou enfiado na cozinha na companhia de Ercília, a cozinheira, que fazia doces e comidas baianas deliciosos e tinha uma risada alta e gostosa.

A tia, sem nenhuma experiência com criança, não sabia como se aproximar do menino. Aliás, ela, também muito tímida, preferia conviver com os livros do que com as pessoas. Pior ainda ter que se relacionar com aquele menino pequeno e barulhento.

Uma vez a cada 15 dias a tia recebia um telegrama avisando sobre a chegada de sua encomenda. Então, punha seu grande chapéu, e ia até a agência de correios da ilha. Um dia chamou o menino para acompanhá-la, “assim você carrega a caixa pra mim”, se justificou. O menino, surpreso, calçou os chinelos e foi atrás dela. A tia tinha um passo rápido e não lhe dava a mão como fazia a mãe. Mas percebeu que de tempos em tempos ela olhava para trás para se certificar de que o menino ainda estava por perto.

O moço do correio foi buscar a caixa de papelão cheia de selos e com nome escrito da tia escrito em preto. Ela assinou um papel e deu a caixa para o menino carregar. A volta para casa foi dura, com a caixa pesada que o menino tentava ajeitar nos braços para não deixar cair. A tia abriu o portão e pediu para o menino colocar a caixa em cima da mesa de jantar. Tirou o primeiro livro, alisou a capa, abriu a primeira página e pela primeira vez ele a viu abrir um grande sorriso: “esperava há muito tempo por este aqui”. “Que velha esquisita”, pensou. A tia foi então, tirando os outros livros e repetindo o ritual. Por último tirou um livro azul de capa dura e disse: “Este aqui é para você, Pedro”. Foi a primeira vez que ela o chamava pelo nome.
Foi também a primeira vez que Pedro ganhara um livro.

Não sabia o que fazer com ele e a tia percebeu seu estranhamento. Puxou o menino para perto, mandou que sentasse e então começou a ler. O livro era uma estória sobre um menino que se perdia na Índia, uma aventura cheia de perigos e emoções.

Tia Julia se saíra uma ótima contadora de estórias, fazendo vozes, barulhos e caretas. Nem parecia aquela senhora tímida e carrancuda. O tempo voou e Ercília os chamou para o jantar. Comeram os três na mesa da cozinha e a tia começou a contar sobre a época que havia morado na Índia. “Foram três anos, um país interessantíssimo, cheios de cores e aromas diferentes. Fizemos bons amigos por lá. Seu tio jogava críquete, um esporte inglês, que os indianos adoram. Foi uma época muito feliz”. Depois do jantar foi buscar umas fotografias antigas e mostrou para Pedro e Ercília. Contou mais algumas casos, e foram se deitar. Pedro levou o livro e continuou a ler noite adentro até que adormeceu.

No dia seguinte contou para a tia sobre as cidades onde o personagem havia passado. A tia procurou num Atlas o mapa da Índia e procuraram juntos pelos nomes das cidades. A Índia havia entrado no casarão azul. Pedro contava as aventuras do menino perdido, a tia suas memórias e acabaram todos envolvidos pelo assunto. Até Ercília se inspirou para fazer um frango ao curry com geléia de mangas colhidas no jardim. O livro foi chegando ao fim e Pedro lia bem devagarzinho as últimas páginas. Até que o livro terminou.

Mas havia outra encomenda, e desta vez era Pedro quem estava mais ansioso por abrir a caixa. O livro agora era mais grosso, de um grande escritor baiano, segundo a tia. Contava a estória de um bando de meninos que morava em Salvador e brigava por um terreno baldio onde jogavam futebol. Desta vez foi Ercília que foi lembrando de sua infância nos bairros contados no livro.“Foi lá que nasci, também brincava nesta rua, será que esta estória é verdadeira? Está me lembrando uns meninos que conheci”.

A tia, então, propôs uma excursão para Salvador. Foram visitar o bairro em que o famoso escritor morava. Compraram numa lojinha as gravuras que até hoje estavam nas paredes do quarto da tia. Comeram acarajé, tapioca e passaram um dia muito divertido. Agora eram três a ficarem ansiosos pela chegada da caixa de livros.

Mas o tempo passou e Pedro teve que voltar para a cidade. Nas férias seguintes voltou para a Ilha e viveu novas aventuras ao lado de Ercília e tia Julia. Foi assim que aprendeu o gosto pela leitura.

O tempo passou, Pedro se formou jornalista e virou correspondente internacional.
A cada visita ao Brasil vinha visitar a tia e se correspondiam regularmente. Tia Júlia foi visitá-lo em Buenos Aires quando nasceu seu primeiro filho. Voltou para a Ilha com a família durante alguns anos e a cumplicidade com tia Júlia e Ercília sempre o acompanhou.

Mas hoje estavam lá, sem tia Júlia, no casarão. Ercília o chamou para um café e o apresentou para seu neto que se chamava Thiago. O menino de olhos de jabuticaba, franzino e muito tímido ficou observando Pedro com um jeito que lhe era familiar. Comeram um bolo de fubá na mesa da cozinha e Pedro convidou o menino a dar um passeio pelo jardim. Sentaram à sombra da mangueira e Pedro abriu o livro azul que havia achado na estante da casa. Então começou a contar a contar, “Thiago, esta é a estória de um menino que se perde na Índia, um país cheio de cores e aromas muito distante daqui...”.


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domingo, 15 de junho de 2008

Conto "As Férias na Ilha"

Chegou em casa tarde e notou o telegrama no meio da correspondência. Ficou apreensivo.Seu temor se confirmou: sua tia Julia havia morrido.No dia seguinte seguiu para o enterro na Ilha.
Foi uma estranha sensação rever o casarão azul onde passara parte da infância e adolescência. Depois de formado, foram poucas as visitas para aquele lugar.
Agora estava lá sozinho, diante do velho casarão de janelas brancas e muito altas, com o mesmo portão de ferro lateral que ainda rangia ao ser aberto. A casa estava silenciosa, o quarto da tia ainda tinha a grande cama de madeira, coberta por uma colcha de rendas, as gravuras na parede e a luz de leitura na mesinha de cabeceira. Tudo lhe era tão familiar. A sala bem iluminada com suas grandes janelas brancas davam para a praça da cidade. A mesma cozinha de azulejo antigo, a mesa de tampo de mármore onde tomava seu lanche, o fogão de ferro e as janelas com vista para o quintal onde estavam suas arvores, companheiras de infância. A mangueira parecia agora menor do que tinha na memória, passou a mão no tronco rugoso, pisou na raiz que o ajudava a subir na arvore. Agora parecia tão fácil. Voltou para o interior da casa e foi na grande estante de livros no canto da sala, o lugar preferido da tia.
Sentiu o coração apertado. Sentou em sua poltrona favorita, fechou os olhos e deixou as lembranças voltarem.
A tia era a irmã mais velha da mãe, viúva de um diplomata, muito culta, falava diversos idiomas, e havia morado em diferentes países. Instalou-se na ilha depois de perder o marido. Vivia muito arrumada, de olhos pintados, unhas feitas e cabelo impecável. Fumava um cigarro atrás do outro andava descalça. O início da convivência não foi fácil.A mãe recém separada deixou o menino sozinho com a tia enquanto resolvia os detalhes da separação.O menino se sentia sozinho e triste com aquela “velha esquisita” que vivia lendo, escrevendo e fumando e que detestava barulho. Ele, aos 8 anos era muito tímido e solitário.Passava a maior parte do dia zanzando pelo quintal, subindo na mangueira ou enfiado na cozinha na companhia de Ercília, a cozinheira , que fazia doces e comidas baianas deliciosas e tinha uma risada alta e gostosa.
A tia, sem nenhuma experiência com criança, não sabia como se aproximar do menino. Aliás, ela também muito tímida, preferia conviver com os livros do que com as pessoas. Pior ainda ter que se relacionar com aquele menino pequeno e barulhento. Uma vez a cada 15 dias a tia recebia um telegrama avisando sobre a chegada de sua encomenda. Então, punha seu grande chapéu, e ia até a agência de correios da ilha. Um dia chamou o menino para acompanhá-la,” assim você carrega a caixa pra mim”, se justificou.O menino surpreso, calçou os chinelos e foi atrás dela. A tia tinha um passo rápido e não lhe dava a mão como fazia a mãe. Mas percebeu que de tempos em tempos ela olhava para trás para se certificar de que o menino ainda estava por perto. A volta para casa foi dura, com a caixa pesada carregada pelo menino que se equilibrava para não derrubá-la.A tia abriu o portão e pediu para o menino colocar a caixa em cima da mesa de jantar. Tirou o primeiro livro, alisou a capa, abriu a primeira página e pela primeira vez ela a viu abrir um grande sorriso: “esperava ha muito tempo por este aqui”.“Que velha esquisita”, pensou . A tia foi então, tirando os outros livros e repetindo o ritual. Por último tirou um livro azul de capa dura e disse: Este aqui é para você Pedro. Foi a primeira vez que ela lhe chamava pelo nome. Foi também a primeira vez que Pedro ganhara um livro.
Não sabia o que fazer com ele e a tia percebeu seu estranhamento. Puxou o menino para perto e mandou que sentasse e então começou a ler o livro. Era uma estória sobre as aventuras de um menino que se perdia na Índia, uma aventura cheia de perigos e emoções.
Tia Julia se saíra uma ótima contadora de estórias fazendo vozes, barulhos e caretas. Nem parecia aquela senhora tímida e carrancuda. O tempo voou e Ercília os chamou para o jantar. Comeram os três na mesa da cozinha e a tia começou a contar sobre a época que havia morado na Índia. “Foram três anos, um pais interessantíssimo, cheio de cores e aromas diferentes. Fizemos bons amigos por lá. Seu tio jogava críquete no time, um esporte inglês, que os indianos adoram. Foi uma época muito feliz.” Depois do jantar foi buscar umas fotografias antigas e mostrou para Pedro e Ercília. Contou mais algumas estórias, e foram se deitar. Pedro levou o livro e continuou a ler noite a dentro até que adormeceu.
No dia seguinte contou para a tia sobre as cidades onde o personagem da estória havia passado. A tia procurou num Atlas o mapa da Índia e procuraram juntos pelos nomes das cidades. A Índia havia entrado no casarão azul. Pedro contava as aventuras do menino perdido, a tia suas memórias e acabaram todos envolvidos pelo assunto. Até Ercília se inspirou para fazer um frango ao curry com geléia de mangas colhidas no jardim. O livro foi chegando ao fim e Pedro lia bem devagarzinho as últimas páginas até que o livro terminou.
Mas havia outra encomenda, e desta vez era Pedro quem estava mais ansioso por abrir a caixa. O livro agora era mais grosso, de um grande escritor baiano, segundo a tia. Contava a estória de um bando de meninos que morava em Salvador e brigava por um terreno baldio onde os meninos jogavam futebol. Desta vez foi Ercília que foi lembrando de sua infância nos bairros contados no livro.“ Foi lá que nasci, também brincava nesta rua, será que esta estória é verdadeira? Está me lembrando uns meninos que conheci”. A tia então, propôs uma excursão para Salvador. Foram visitar o bairro em que o famoso escritor morava. Compraram numa lojinha as gravuras que até hoje estavam nas paredes do quarto da tia. Comeram acarajé, tapioca e passaram um dia muito divertido. Agora eram três a ficarem ansiosos pela chegada da caixa de livros. Mas o tempo passou e Pedro teve que voltar para a cidade. Nas férias seguintes voltou para Ilha e viveu novas aventuras ao lado de Ercília e tia Julia. Foi assim que aprendeu o gosto pela leitura e acabou virando jornalista.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

A HORA DA ESTRELA

Minha leitura deste livro não foi tão agradável como esperava, tinha a lembrança de haver trabalhado este livro em sala de aula, mas acho que era um texto reduzido onde o autor narrador não aparecia. Por isso a leitura me causou uma certa surpresa.
Achei mais interessante do que a leitura, a discussão que tivemos em classe, pois , conseguimos discutir e identificar os fatores que levaram a este incômodo geral no processo de leitura da classe. O primeiro deles foi à opção de fazer com que o autor fale com o leitor, depois a expectativa que o livro cria de uma estória que não acontece. Mas o que mais achei interessante é a escolha da Clarice em não fazer um livro para agradar, imagino que isto só possa ser feito por um autor que já atingiu uma certa maturidade e experiência como escritor. O aspecto que mais me desagradou no livro, a constante interferência do autor na estória de Macabéia, que finalmente é secundaria no livro, é o que acaba sendo o mais interessante para nossa oficina.
O autor vai descrevendo seu difícil dilema em seu processo de escrita. Selecionei então, alguns destes trechos : “Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever”...(pg.11) Por que escrevo? Antes de tudo porque captei o espirio da língua e assim às vezes a forma é que faz conteúdo. Escrevo portanto não por causa da nordestina mas por motivo grave de “força maior”… (pg. 18)

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Sobre meu processo

Este feriado li finalmente os “Contos exemplares” escritos pelas alunas do curso no ano passado. Como é bom ler com calma, com tempo... Gostei muito da maioria, e a partir desta leitura comecei a fazer alguns rascunhos sobre idéias de contos que poderia escrever. Tive até insônia um dia desses com a estória que fui construindo na minha cabeça. Mas ainda não comecei a colocar no papel, ainda estou amadurecendo as idéias. Acho que hoje estou mais sensível em relação ao meu processo de escrita e leitura. Já sei que para ler, preciso de um ambiente minimamente calmo, estou reaprendendo a fazer a leitura acadêmica, onde é necessário, além do silêncio e da concentração, de lápis para grifar e fazer anotações. Também foi bastante útil aprender a fazer os fichamento dos textos. Porém acho que ainda preciso desenvolver um senso critico em relação ao que leio. Quanto à escrita tenho mais facilidade em escrever fatos reais ou memórias, este lado emocional é um grande elemento disparador. Ainda preciso consultar os livros sobre virgula, e gramática no geral e criar uma disciplina de colocar no papel as minhas idéias e assim ir melhorando e afinando meus textos. Não funciona no meu caso, escrever no dia da oficina naquele curto espaço de tempo, os textos saem bem piores.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

A dura tarefa de se concentrar na biblioteca

Cheguei hoje bem cedo á biblioteca, tinha que adiantar algumas leituras e tarefas que ficaram pendentes pois estive ausente durante uma semana. Como ainda era o horário do ensino médio, escolhi uma mesinha escondida atrás dos computadores velhos, mas havia um grupo de alunos que brincavam e gritavam bem ao lado da janela. Voltei para a mesa colorida e comecei a leitura. Lápis na mão, fui grifando as partes mais importantes e assim segui a leitura durante três páginas. Entrou então o primeiro grupo de alunos que se sentou bem próximo, discutiram suas notas, quem tinha ficado de recuperação, outros foram chegando e parei minha leitura completamente desconcentrada. Dei uma olhadinha básica, para mostrar que estavam me incomodando e voltei para o texto, esperando um pouco de consideração. O telefone celular de alguém que estava na midiateca tocou, depois mais um outro. A turma ao lado se acalmou e voltei para minha leitura, avancei mais algumas páginas, tive alguma dificuldade mas no geral consegui entender o texto. Outro grupo entrou na biblioteca, e ficaram em volta de um computador dando risada, e depois se juntaram aos alunos que estavam ao meu lado e daí o barulho foi aumentando. O incrível é que eles e o resto das pessoas da biblioteca também estavam também estudando e o barulho parecia apenas incomodar a mim.
Finalmente terminei o texto mas levei muito tempo e fiquei com dor de cabeça. Engraçado havia uma parte do texto que falava justamente sobre uma nova postura dos jovens em relação a leitura. No texto Petrucci, (1990, pg.222) diz que "(...) os jovens afirmam ler tudo, sempre e em qualquer lugar (...) tem essa característica de se adaptar a qualquer ambiente."
Definitivamente não faço parte desta geração.

Petrucci, A. Ler Por Ler: Um Futuro para a Leitura. Em:Cavallo, G; Chartier,R. A Historia da leitura no mundo ocidental. São Paulo: Àtica, 1999. vol 2, pg 203.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Cartas a um jovem escritor, Mario Vargas Llosa ; tradução de Regina Lyra -Rio de Janeiro:Elsevier 2006

Selecionei alguns trechos que achei interessante do livro do de que escolhi para esta oficina:


"Qual a origem dessa disposição precoce para inventar seres e histórias, que é o ponto de partida da vocação de escritor? Creio que a resposta é rebeldia. Estou convencido de que quem se entrega à elucubração de vidas distintas daquela que vive na realidade demonstra dessa forma sua rejeição e crítica á vida como ela é e ao mundo real, bem como seu desejo de substituí-los por outros, fabricados por sua imaginação e desejos." (...)


"A ficção é uma mentira que encobre uma verdade profunda:ela é a vida que não foi, a que os homens e mulheres de determinada época quiseram levar e não levaram, precisando, por isso, inventá-la. Ela não é o retrato da história, mas sua contracapa ou reverso, o que não aconteceu e por isso precisou ser criado pela imaginação "(...) Pág 09.

Achei estes trecho interessantes pois abordam outro tema parecido com a inspiração, tão discutida em classe, que é a vocação literária. Achei bastante poética esta imagem da rebeldia como ponto de partida para a vocação de escritor. Se é que ela existe.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Depoimento de Lygia Fagundes Telles que escolhi para leitura em classe

"Escrevo de uma vez. Quando vem, sai assim encachoieradamente,com muita paixão. Depois deixo dormir, deixo amadurecer como um fruto amadurece. Em seguida, eu volto e retomo. esse seria um trabalho de artesanato. O primeiro impulso é importantíssimo que fique gravado como eu escrevi. Depois, então, eu tiro uma palavra aqui, corto outra ali adiante, acrescento uma, substituo outra. E justamente como um artesanato.(...) Não tenho rotina nenhuma. Sou uma indisciplinada. Mas não escrevo diariamente. As vezes escrevo seguidamente, sem parar. Depois faço pausas, ai entro novamente. E aquilo que Eclesiastes dizia: Tudo depende do tempo e do acaso. Muitas vezes estou cansada, porque fui a uma festa ou a um compromisso, mas me da aquela vontade desesperada de escrever. Então deixo tudo e lá vou. Eu sei que é preciso pegar aquele instante quente, como no amor. Acho que escrever um ato de amor. E o amor não pode ser adiado. "

Fonte:SA, Sergio de. Correio Brasiliense,1°de março de 1998.

Escolhi este depoimento pois acho que me indentifico com o processo de escrita da autora, também quando escrevo faço de uma vez, encachoieradamente.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Ainda João Ubaldo

Achei este texto no site Klick escritores em que João Ubaldo diz:

"Em primeiro lugar desaconselharia o jovem candidato a escritor a continuar; sugeriria que desistisse enquanto é tempo. Mas se isso for mesmo impossível, eu diria: então está bem, persista, vá em frente, leia muito, todas essas coisas que são lugares-comuns. E principalmente: seja humilde, mas combine essa humildade com certa obstinação. O resto, não é com você, amigo. É um mistério."

Para quem se interessar: http://www.klickescritores.com.br/jubaldo00.html

Achei este "conselho" bastante sincero e divertido, típico do Jõao Ubaldo. Apesar de parecer pouco encorajador no início diz algo que é comum a quase todos os escritores: para escrever leia muito.

Eu e João Ubaldo

No texto, Memórias de Livro de João Ubaldo Ribeiro, ele conta que sua família era obcecada por livros e que eram tantos que mal cabiam em sua casa. Descreve a técnica maquiavélica usada por seu pai para que ele se interessasse por certas leituras, dizendo que a leitura de determinado livro estava proibida. Lembrei então de um episódio da minha vida de leitora. Meus pais sempre foram leitores assíduos e em sua casa há um grande espaço para livros. Desde pequenos eu e meus irmãos fomos adquirindo o gosto pela leitura. Um costume que dura até hoje, é ir com um dos dois até a estante onde fica uma grande quantidade de livros para escolher nossa próxima leitura. Confesso que por conta disso comprei muitos poucos livros, pois no geral adoro as indicações dos meus pais, fora a economia que faço. Mas voltando ao João Ubaldo, lembro de um episódio em que ia até a estante com minha mãe e ela pegou um livro e disse: "Este aqui é lindo, mas acho que não é ainda para sua idade". O livro era "O Apanhador no Campo de Centeio" que eu é claro, fiquei interessadíssima e parti imediatamente para leitura. Lembro de ficar procurando o que não seria apropriado e de não achar, e também não achei o livro tão lindo assim. Talvez minha mãe tivesse usado a tática do pai do João Ubaldo, talvez eu fosse realmente muito jovem para aquele livro, mas sei que esta técnica funciona.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Como Escrevo

Cheguei mais cedo na faculdade para ler o livro "Como escrevo". A biblioteca estava relativamente calma e comecei a ler os depoimentos dos escritores sobre seu processo de escrita. Achei interessantíssimo e fiquei com vontade de comprar o livro. Depois de ler vários depoimentos, de gostar muito de alguns e menos de outros, escolhi o depoimento da Lygia Fagundes Telles, que vou ler para a classe um pouco mais tarde.Então veio a questão: Como eu escrevo?
Tenho uma imagem romântica sobre os escritores. Imagino um dia frio de inverno, uma café quentinho, um lugar bem silencioso e aquela pessoa "abençoada" pela inspiração e o domínio perfeito da linguagem que sai escrevendo maravilhososamente. Que inveja!
Tanto para ler como para escrever eu prefiro o silêncio, no máximo uma música instrumental ao fundo. Na minha casa o silêncio é raro, por isso venho para a faculdade mais cedo e assim tento me concentrar na leitura dos textos. Para escrever preciso de uma idéia, uma inspiração ou o que seja, e as vezes o texto sai de uma vez, encachoeiradamente, como disse a Lygia Fagundes Telles (adorei esta palavra). Devo confessar que gosto de escrever, apesar de ainda ter bastante dificuldade. Preciso identificar meus "elementos disparadores", um método, melhorar as técnicas de escrita. Enfim, sei que tenho um longo caminho, mas estou animada.

quinta-feira, 20 de março de 2008

A Incrível Estória de Fandjoca

Foi um feriado de Páscoa há dois anos atrás, fomos com um grupo de amigos para Paraty. Apesar do tempo chuvoso, resolvemos sair de barco. Chegamos a uma pequena ilha e logo avistamos um grupo de cachorros que latiam para nós. Ficamos um pouco apreensivos, mas fomos nadando, eu e meu marido, até chegar na praia. Eram quatro cachorros, um cocker preto, dois vira-latas e um filhote muito magrinho. Começaram a abanar os rabos e fomos nos aproximando. De perto, vimos que estavam todos muito magros. Nos sentamos na areia e os cachorros pararam de latir e vieram brincar conosco. Fizemos um passeio pela ilha e achamos uma casinha de pescador que parecia abandonada. Tivemos pena dos cachorros e fomos procurar no barco um resto de comida que havíamos trazido. Os cachorros estavam realmente famintos e disputavam cada pedacinho de comida. Tentamos alimentar o filhote que não tinha a menor chance perto dos outros maiores, mas ele tinha muito medo e acabou sem comer nada. Foi quando disse ao meu marido que queria levar o filhote para casa. Levantei e tentei agarrar o bichinho que saiu disparado ilha adentro.
Meu marido que a princípio foi contra a minha idéia, acabou sendo convencido e saímos à procura do cachorrinho. Nossos amigos ficaram espantados quando aparecemos no barco carregando o cachorro que na verdade era uma fêmea. Enrolamos o bichinho numa toalha e voltamos para a cidade. Fomos à procura de um veterinário, ainda chovia, e a cadelinha tremia sem parar.
Achamos uma clínica e o cachorro foi examinado, estava desnutrido, coberto de pulgas e provavelmente não comia há vários dias - nos disse o veterinário. Demos um banho, remédio, comida e resolvemos chamá-la de Fandjoca que quer dizer cachorro em Madagascar. Aos poucos fomos ganhando a confiança do bichinho que foi crescendo e ficando forte e brincalhão. Hoje ela é uma cadelinha muito simpática e sociável e virou uma grande companheira.Nunca mais voltamos para aquela ilha, e às vezes pensamos o que será que aconteceu com aqueles outros cachorros.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Infiel

No último verão li um livro que me deixou muito impressionada. Esta semana vi na televisão uma entrevista com a autora e por isso resolvi escrever sobre este assunto.
O titulo é Infiel, e trata-se da autobiografia de uma mulher chamada Ayaan Hirsi Ali. Ela nasceu na Somália onde foi criada com costumes tribais, que incluem por exemplo a mutilação sexual das mulheres e espancamentos quase diários. Sua família era extremamente religiosa e ela uma muçulmana devota.
Confesso que tenho um pouco de preguiça desta moda dos livros Iraquianos, Afegãos e afins e quase larguei o livro no início. Mas a estória desta mulher é realmente incrível.
Para resumir, ela foge de um casamento forçado e acaba virando exilada política na Holanda. Consegue aprender a falar Holandês, se forma em uma das mais tradicionais faculdades do país e a partir deste contato com o mundo ocidental começa a questionar a religião Islâmica. Se elege deputada e se torna uma das principais defensoras das mulheres muçulmanas e crítica feroz da forma complacente como os europeus tratam a questão dos muçulmanos em seus países.
Em parceria com um polêmico diretor holandês, realiza um curta metragem chamado "Submissão" onde denuncia os maus tratos sofridos por estas mulheres. Como consequëncia este diretor é brutalmente assassinado e ela é condenada a morte pelos fundamentalistas islâmicos.
O livro é realmente impressionante e mexeu muito comigo, a corajem desta mulher é inspiradora e este assunto é muitíssio atual. Quem tiver a oportunidade, não perca este livro, é uma grande leitura.



quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

A Melhor Escola do Mundo

Esta semana li na revista Veja, um artigo sobre "A melhor Escola do Mundo" que fica na Finlândia. Os professores desta escola tem que ter como formação obrigatória um mestrado e o vestibular para pedagogia é um dos mais concorridos do país. Os professores acompanham de perto o desenvolvimento de cada aluno e intervém rapidamento através de aulas de reforço, caso o aluno apresente dificuldades. Os diretores e professores são constantemente avaliados a partir dos resultados dos alunos.
Será que um dia vamos chegar chegar lá?

Leituras e Leituras

Estas últimas semanas tenho prestado atenção na minha postura diante diferentes tipos de leitura. Tive um pouco de dificuldade para ler alguns textos para a faculdade. Acho que tenho um pouco de preconceito (inconsciente) em relaçao à alguns textos. Não sei se é o formato de cópia que me parece tão menos atraente do que um livro. Não sei se é o vocabulario difícil ou o assunto que me desencoraja, mas estas leituras não estao sendo fáceis. Para conseguir chegar ao fim dos textos tenho que estar bastante concentrada, sem barulho nem distração ao meu redor.
Por outro lado, tive muito prazer em ler o texto da Clarice Lispector e do Italo Calvino. Este último, mesmo com sono e bastante cansada, li do começo ao fim, me envolvi completamente e me diverti bastante. Enquanto lia foi aparecendo na minha cabeça a imagem da praia, do rochedo, da moça que tomava sol...
Fico me perguntando se quando a leitura é fácil é porque o texto é bem escritos? Escrever bem seria conseguir envolver o leitor desde a primeira página? Escrever bem seria conseguir descrever situações, pessoas, lugares de tal maneira que o leitor consegue "entrar no livro" ? Será que se fosse o Gabriel Garcia Marques que tivesse escrito o texto de psicologia a leitura teria sido mais prazerosa? Ou será que apenas não estou mais habituada a ler textos acadêmicos?
Outro tipo de leitura que me chamou atenção foi a leitura em voz alta que tivemos que fazer em algumas aulas do curso. Também senti como algumas das meninas da classe descreveram em seus blogs, uma volta no tempo para a época do colégio. Voltou aquela sensação de vergonha, quando engolia as palavras e a classe repetia em coro a palavra que não conseguia pronunciar. Gostei muito de ouvir a Thiane lendo o trecho do livro "Sobre o Autor". Ela tem uma voz bonita, pausada, uma boa entonação e o texto que ela escolheu era bem bonito. Mas no geral acho dificil prestar atenção num texto lido, por outra pessoa. Ter o texto escrito para acompanhar ou ler em silêncio é bem mais facil .
São diferentes tipos de leitura mais ou menos prazerosos mais ou menos difíceis mas que pela primeira vez por causa desta oficina, tenho refletido sobre o processo de leitura.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Algumas Lembranças sobre Leitura e a Escrita

Uma das minhas primeiras lembranças como leitora foi em umas férias na casa da minha avó no Guaruja, somos 17 primos e ela nos encentivava a ler dando prêmios para quem acabasse o seu livrinho (não valia história em quadrinhos). Lembro também que tínhamos um diário das férias onde cada primo registrava suas impressoões sobre as férias.Tinha um pouco vergonha de escrever, pois minha letra era meio feia e cometia diversos erros de ortografia. Preferia ler.
Mas são lembranças muito boas.
Bem mais tarde no Vera Cruz, lembro de uma "Feira do Livro" quando comprei o meu primeiro livro que se chamava "A Baía dos Golfinhos" , engraçado lembrar disto pois faz mais de 25 anos. Nesta época adorava os livros do João Carlos Martins , como o Gênio do Crime e outros tantos feitos para adolescentes. Acho que foi nesta época que desenvolvi meu gosto pela leitura. Ainda no Vera lembro das auto avaliações que tínhamos que escrever durante o curso e ao contrário dos outros alunos eu gostava bastante.
Hoje sou uma leitora quase compulsiva. Não consigo dormir sem antes ler um livro, ao menos uma ou duas páginas para pegar no sono. De manhã leio o jornal tomando meu café e desta maneira vou acordando. Em tardes calmas adoro ler meus livros de receita, ouvindo música, às vezes me animo e também cozinho mas no geral leio estes livros por puro prazer como se fosse literatura.
Já a escrita eu não pratico muito. Apenas e-mails ou assuntos de trabalho. Adoraria escrever melhor, tenho diversos diários imaginários que vou preenchendo na minha cabeça mas sem nunca colocar no papel. Acho que ainda tenho um pouco de vergonha.
Quem sabe esta oficina vai me ajudar a destravar e melhorar minha escrita. Gostaria muito de um dia escrever um livro para crianças. Quem sabe?